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Por um mundo mais sustentável e transparente
Defendemos o meio ambiente com transparência, ciência e ação, promovendo políticas públicas eficazes e cidades mais sustentáveis.
Protegendo o presente, garantindo o futuro
O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM) é uma organização não-governamental dedicada à defesa do meio ambiente. O PROAM prioriza a boa governança com ciência, respeito e aprimoramento da normativa ambiental, participação e controle social.


Assine a carta enviando e-mail com nome de sua instituição, ou seu nome pessoal com atividade profissional, para proam@proam.org.br
Confira a reação dos signatários e o texto completo da Carta
ESPECIALISTAS E INSTITUIÇÕES SUBSCRITORAS:
Associação Cultural e Ecológica Pau-Brasil - Ribeirão Preto - SP
Associação de Amigos e Moradores da Granja Viana - AMOGV - Marcia Catunda – Presidente
Associação de Combate aos Poluentes (ACPO) – Santos - SP
Associação Educacional dos Homens de Amanhã – AEDHA - Duque de Caxias - RJ
Associação Guarujá Viva – Água Viva – Guarujá – SP
Associação de Moradores do Jardim da Saúde - SP
Associação de Saúde Socioambiental (ASSA) – Santos - SP
Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo - APqc
Associação para Proteção Ambiental de São Carlos (APASC) – S.Carlos - SP
Associação Protetora da Diversidade das Espécies – PROESP – Presidente Roseli Torres -Campinas – SP
Associação Preservar Ambiental – Itapecerica da Serra – SP
Associação Alternativa Terra Azul – Brasília - DF
Associação "Viva o Centro de São Paulo" – São Paulo - SP
Abraço Guarapiranga – São Paulo - SP
Adriano Garcia Chiarello – FFCLRP – USP – Ribeirão Preto - SP
Boisbaudran Imperiano – ex-conselheiro do CONAMA
Brigada Popular de Prevenção e Combate a Incêndios Cachorro do Mato – Campinas - SP
Campanha Billings, Eu te quero Viva! – São Paulo - SP
Carlos Alberto Hailer Bocuhy – ex-conselheiro do Conama
Carlos Alfredo Joly – UNICAMP -SP
Capitulo Laudato Si - SP - Lucia Helena SilvaMaeques Vilas Boas - Coordenadora
CIA Teatro da Cidade – S. J. dos Campos – SP - Cláudio Mendel
Claudia Visoni – jornalista e empreendedora socioambiental
Clemente Coelho Jr – Biólogo - UPE
Cleveland M. Jones - Presidente da Academia Brasileira Ambientalista de Letras – ABAL – Petrópolis – RJ
Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Paulo
Coletivo Jurubatuba Mirim – São Paulo - SP
Coletivo Socioambiental Bragança Mais – Bragança Paulista - SP
Comissão Justiça e Paz da Diocese de S. J. Campos – SP - Marco Carvalho - Coordenador
Crescente Fértil - Resende – RJ
Daiane Mardegan – Advogada Ambientalista
Danilo Moura - Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos
Deputada Federal Luciene Cavalcanti – SP
Deputado Estadual Carlos Gianazzi – SP
Diego Braga – Tekoa – Governança, Resiliência Climática e Territorialidades - São Paulo – SP
DHEMA – Direitos Humanos e Meio Ambiente – São Paulo - SP
Elizabeth Brait Alvim- Escritora, poeta e atriz. Ex-Diretora Cultural da Fundação Cultural de SJCampos e do SESC/SJC
Eloah Margoni – Médica - SODEMAP – Sociedade em Defesa do M. A. de Piracicaba – SP
Elo Ambiental de Vinhedo -SP
Espaço, Educação Cultura e Meio Ambiente – São Paulo - SP
Fernanda Favier – Ambientalista – Conselho Municipal de Guararema - SP
Forum de Mudanças Climáticas - Ivo Poleto – Goiânia -GO
Fórum permanente em Defesa da Vida – São José dos Campos - SP
Fórum Verde Permanente de Parques, Praças e Áreas Verdes - São Paulo - SP
Frente Ambientalista da Baixada Santista - FABS
Gracias Leiva - Vereadora - Câmara Municipal de Monteiro Lobato - SP
Gerson de Freitas Junior – FATEC (CPS/ICT)
GPME - Grupo de Preservação dos Mananciais do Eldorado - SP
Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas - GESP - Passo Fundo - RS
Heitor Marzagão Tommasini – ex-conselheiro do CONSEMA/SP
Helena Dutra - Ecóloga
Hilda de Souza Lima Mesquita - IO-USP
Ibióca – Nossa casa na Terra – Embu das Artes - SP
Iniciativa Verde – São Paulo – SP
Ingrid Oberg – Bióloga
Instituto Árvores Vivas para Conservação e Cultura Ambiental - São Paulo - SP
Instituto Bairro Vivo de Desenvolvimento Urbano e Social – São Paulo - SP
Instituto Bioma-Brasil – Recife – PE
Instituto Brasileiro de Conservação da Natureza – IBRACOM – Presidente Nalu Beatriz Machado
Instituto ECOEMA – Instituto de Estudos e Conservação do M.A. – Manaus - AM
Instituto Guaicuy – Belo Horizonte – MG
Instituto Ilhabela Sustentável – Gilda Nunes – Diretora Executiva
Instituto MIRASERRA – Porto Alegre - RS
IPAN - Instituto Panamericano de M.A. e Sustentabilidade – SP - Moacir Bueno Arruda
Ivan Maglio – FAU-USP
Janes Jorge - EFLCH/UNIFESP – Campus Guarulhos - SP
José de Castro Procópio – ex-conselheiro do Conama
José Manoel Ferreira Gonçalves – Engenheiro
José Marcelino de Rezende Pinto - USP - Ribeirão Preto – SP
Juliana Gatti Pereira Rodrigues - Conselheira do CONAMA
Kanindé - Associação de Defesa Etnoambiental – RO
Klécia Gili Massi – Engenheira Florestal, Mestra em Ecologia e Recursos Naturais
Lisiane Becker – Conselheira do Conama
Lixo Zero – BS
Leila Regina Diegoi – Arquiteta e Urbanista
Luciano Abbamonte da Silva - Doutor em Arquitetura e Urbanismo
Lucy Miriam Schaeffer – Advogada e Economista
Luiz Marques - Unicamp – SP
Marcelo Marini Pereira de Souza – USP – Ribeirão Preto – SP
Márcio Antonio Augelli – USP – Jaboticabal – SP
Maria Madeleine Hutyra de Lima - advogada ambientalista
Mariana de Oliveira Gianiaki - Consultoria em Gestão Ambiental Marimar
Mauro Frederico Wilken – ex-conselheiro do CONAMA
Mauro Scarpinatti – Ambientalista
Milena Saad Maluhy - fotografa, bióloga e gestora ambiental
Movimento Contra as Agressões à Natureza (MoCAN) – Peruíbe - SP
Movimento Defenda São Paulo - SP
Movimento Resgate Cambuí – Campinas – SP
Movimento Reviva Vila Carioca - SP
Movimento SOS Instituto Butantan – São Paulo - SP
Movimento Urbano de Agroecologia – MUDA
Museu do Cerrado - Rosângela Azevedo Corrêa – Basília – DF
Núcleo de Estudos, Pesq. e Ext. Saúde Socioambiental (NEPPSA-Unifesp) – Santos - SP
Núcleo Regional do Plano Diretor Participativo – São José dos Campos - SP
Observatório da Governança Ambiental do Estado de São Paulo – OGAM SP
Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento – ONDAS – S. Paulo - SP
OEKOBR – Organização Oëkoscientia Brasil (OSCIP) -São Paulo - SP
OPPA Jandaia - SP
OSC Composta & Cultiva – Santos – SP
Organização Ambiental Teyquê-Pê – OAT – Piraju - SP
Paulo Jorge Moraes de Figueiredo – ex-conselheiro do CONAMA
PROAM-Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – SP
Projeto Saúde e Alegria – Coordenador Caetanos Scanavivo
Proteção do Bioma - Regina Petti – Itanhaém - SP
Rede Brasileira de Conselhos – RBDC
Rosanne Brancatelli – Conselheira do CADES/SP e CMPU
SESBRA – Sociedade Ecológica de Santa Branca - SP
Sociedade Amigos da APA de Itupararanga e suas Bacias Hidrográficas Fronteiriças pelo Desenvolvimento Socioambiental - SAPITU - São Roque/SP
Sociedade Ecológica Amigos do Embu das Artes – Embu das Artes - SP
Sonia Corina Hess, engenheira química - UFSC
Sônia Godoy Bueno Carvalho Lopes – IB – USP
Sonia Maria Gianesella - IO-USP
Susana Prizendt, arquiteta-urbanista ambientalista
SOS Manancial – São Paulo – SP
SOS Manancial do Rio Cotia - SP
Tiago Lira – Vice-Presidente do Condema de Campinas - SP
Pedro Ivo de Souza Batista - FBOMS - Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento
Vereador Celso Gianazzi - SP
Fórum Permanente em Defesa da Vida – São José dos Campos – SP
Vicente de Moraes Cioffi – Engenheiro
Vilázio Lellis Junior - ex-conselheiro do CONSEMA/SP
Viviane Lanfranchi Vaz – Arquiteta e urbanista
Yara Schaeffer- Novelli – IO - USP
CARTA PAULISTA PELA RECONSTRUÇÃO DA GOVERNANÇA AMBIENTAL
Democracia Ambiental, Ciência e Planejamento para a Sustentabilidade
APRESENTAÇÃO
O Estado de São Paulo foi protagonista na construção da política ambiental brasileira. Ao longo de décadas consolidou instituições técnicas, fortaleceu a pesquisa científica, desenvolveu instrumentos de planejamento territorial, estruturou sistemas de controle da poluição e dos recursos hídricos e criou espaços de participação social. Também passou por acentuado processo de retrocesso que corroeu muitos dos avanços obtidos.
Os desafios do século XXI exigem uma nova etapa dessa trajetória. A emergência climática, a intensificação dos eventos extremos, a insegurança hídrica, a perda de biodiversidade e a expansão urbana demandam instituições mais preparadas, integradas e resilientes.
Esta Carta constitui um documento-base, aberto ao diálogo e ao aperfeiçoamento coletivo, convidando diferentes setores da sociedade paulista à construção de uma agenda comum para o fortalecimento da governança ambiental.
1. UM CHAMADO À SOCIEDADE PAULISTA
Há momentos em que as sociedades são chamadas não apenas a enfrentar crises, mas também a fortalecer as instituições que lhes permitirão superá-las. São Paulo vive um desses momentos. A emergência climática tornou-se parte da realidade cotidiana. Estiagens, ondas de calor, incêndios, enchentes, degradação dos mananciais e perda de biodiversidade desafiam diariamente a capacidade do Estado de proteger sua população.
Reconstruir a governança ambiental não significa restaurar modelos do passado, mas sim em avançar, preparando o Estado para responder aos desafios de uma realidade ambiental cada vez mais complexa.
Representa potencializar a capacidade das instituições públicas e da sociedade para formular, implementar e aperfeiçoar políticas voltadas à proteção do patrimônio ambiental.
Esta Carta propõe um espaço de convergência entre diferentes instituições, orientado pela ciência, pela participação democrática, pelo planejamento territorial e pela responsabilidade intergeracional.
Também decorre da necessidade da correção de rumos que vem sendo apontada há décadas por organizações da sociedade civil e conceituados especialistas, conforme retrata estudo preliminar conduzido pelo PROAM (gráfico em anexo).
2. O QUE DEFENDEMOS
• Democracia ambiental como fundamento das políticas públicas.
• Ciência como referência permanente para a tomada de decisões.
• Planejamento territorial como instrumento estratégico.
• Prevenção e adaptação climática.
• Participação social qualificada.
• Integração entre políticas públicas.
• Responsabilidade intergeracional.
3. DOZE COMPROMISSOS PARA UM NOVO CICLO DE GOVERNANÇA AMBIENTAL
Os signatários desta Carta comprometem-se a apoiar iniciativas destinadas a:
1. Fortalecer a democracia ambiental, ampliando participação social e processos decisórios transparentes capazes de contribuir para a construção de políticas públicas.
2. Valorizar a ciência e o conhecimento técnico como referência permanente para a formulação, implementação e avaliação das políticas públicas ambientais.
3. Restaurar instâncias de pesquisa e planejamento estatal eliminados sem justificativas plausíveis, à exemplo da Emplasa, Instituto Florestal, Instituto de Botânica e Instituto Geológico.
4. Garantir a capacidade de planejamento territorial, por meio de planos diretores socioambientais, promovendo a integração entre desenvolvimento urbano, infraestrutura, conservação da biodiversidade, recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas, garantindo espaços territoriais saudáveis e privilegiando soluções com base na natureza.
5. Aperfeiçoar os instrumentos preventivos de gestão ambiental, fortalecendo o licenciamento ambiental, o planejamento estratégico, a avaliação de impactos, estudos de impacto de vizinhança e a prevenção de riscos socioambientais.
6. Estimular a cooperação entre instituições públicas, universidades, centros de pesquisa, setor produtivo, organizações da sociedade civil e comunidades locais, reconhecendo que os desafios ambientais exigem soluções construídas de forma colaborativa.
7. Promover transparência, integridade, acesso à informação e governo aberto, fortalecendo o controle social e a confiança nas instituições públicas.
8. Integrar as políticas de clima, biodiversidade, recursos hídricos, planejamento territorial, saúde pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico, reconhecendo a natureza sistêmica dos desafios ambientais contemporâneos.
9. Incentivar soluções inovadoras baseadas na ciência, na tecnologia e na natureza, estimulando pesquisa, inovação e adaptação às mudanças climáticas, garantindo-se recursos públicos para efetiva implantação.
10. Fortalecer o papel das instituições de controle, especialmente do Ministério Público, dos Tribunais de Contas, da Defensoria Pública e dos órgãos de fiscalização, como garantidores da ordem jurídica ambiental, da transparência administrativa e da proteção e defesa dos direitos difusos e coletivos.
11. Reafirmar a importância do Poder Judiciário na efetividade do Estado Democrático de Direito Ambiental, assegurando a proteção dos princípios constitucionais, da vedação ao retrocesso socioambiental, da prevenção, da precaução e da responsabilidade intergeracional.
12. Construir uma agenda permanente de reconstrução da governança ambiental paulista, baseada na cooperação institucional, na estabilidade das políticas públicas, na segurança jurídica e na defesa, reservação e proteção do patrimônio ambiental como bem de uso comum do povo.
Os compromissos reconhecem que a reconstrução da governança ambiental paulista depende da atuação coordenada dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e outros órgãos de controle, da comunidade científica, das universidades, do setor produtivo e da sociedade civil organizada. A proteção do patrimônio ambiental constitui dever comum do Estado e da coletividade, conforme estabelece a Constituição Federal, exigindo cooperação institucional, diálogo permanente e compromisso com as presentes e futuras gerações.
4. CONVITE À CONSTRUÇÃO COLETIVA
Convidamos cidadãos comprometidos com a causa pública, pesquisadores, ambientalistas, universidades, centros de pesquisa, sociedades científicas, organizações da sociedade civil, entidades profissionais, instituições públicas e representantes do setor produtivo a contribuir para o aperfeiçoamento desta Carta e subscrevê-la. A reconstrução e o aprimoramento da governança ambiental paulista representam compromisso coletivo com a Constituição, com a ciência, com a democracia e com as futuras gerações.
5.DECLARAÇÃO FINAL
A reconstrução da governança ambiental paulista constitui um compromisso coletivo com a capacidade do Estado de proteger seu patrimônio natural, promover o desenvolvimento sustentável e preparar a sociedade para enfrentar os desafios do século XXI. Que esta Carta seja o início de um amplo processo de cooperação institucional em favor de um novo ciclo de desenvolvimento voltado à sustentabilidade no Estado de São Paulo.


Leia no Le Monde Diplomatique: O Brasil e o colapso anunciado da água - Le Monde Diplomatique
Manter o modelo atual significa aceitar crises cada vez mais frequentes. A questão que o Brasil precisa enfrentar não é se haverá escassez, mas quando ela ocorrerá – e quem será mais afetado por ela.
Até agora, o diagnóstico é claro: o país não sofre, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, por falta de água, mas de sua boa qualidade para uso social, o que decorre da baixa qualidade da governança hídrica.


Leia a matéria no O ECO: Pirataria climática na COP30 - ((o))eco
No passado, os corsários pilhavam e assaltavam. Nas conferências climáticas, os lobistas fósseis agem como piratas, gerando lucros para si e espoliando a humanidade, às custas de impactos climáticos e uma série incontável de malefícios à sociedade humana. Pilham o presente e o futuro.
Na COP30 de Belém, os piratas fósseis agem como raposas no galinheiro. Estão marcando forte presença. Enquanto o mundo busca se livrar da destruição causada pelos combustíveis fósseis, o lobby da indústria do petróleo insere representantes, dissimulados ou não, na tentativa de influenciar decisões climáticas, políticas públicas, legislações e regulamentações relacionadas ao petróleo e sua cadeia produtiva.
O lobby tem nome e rosto. Estão formalmente inscritos nas delegações de Belém do Pará e superam, juntos, todas as delegações da COP30, exceto a do Brasil, diz relatório do Kick Big Polluters Out (KBPO).
Um em cada 25 participantes da cúpula climática da ONU de 2025 é um lobista de combustíveis fósseis. São mais de 1.600 no total. O percentual é 12% maior que o contabilizado nas negociações climáticas do ano passado em Baku, no Azerbaijão.
Em uma conferência que deveria privilegiar a participação dos mais vulneráveis, os lobistas são em número 60% maior do que os representantes das 10 nações mais vulneráveis ao clima juntas (1.061), de acordo com a análise da KBPO.
A indústria de combustíveis fósseis tem longa história de espalhar desinformação enquanto bloqueia ações climáticas significativas. Petroestados são bastante competentes nessa estratégia e sua atuação é complementada pelo trabalho dos lobistas.
Em Belém, a Arábia Saudita se recusou a discutir a pauta de redução de combustíveis fósseis, admitindo apenas discutir adaptação. Então vejamos: segundo dados de outubro de 2025, a Arábia Saudita produziu cerca de 10 milhões de barris de petróleo por dia, cuja queima representa o lançamento de 4,3 milhão de toneladas de CO²/dia. Esse valor diário significa impacto econômico à humanidade estimado em 5 bilhões de dólares, segundo dados sobre impactos climáticos por tonelada de carbono da Universidade de Stanford (USA).
O caldeirão climático e a profusão de temas que representam uma conferência climática aumentam a capacidade de obstrução dos piratas climáticos, que passam a interferir nos diversos pontos em construção. Uma “COP de implementação”, como é chamada a COP30, demanda estruturação de procedimentos e metodologias que necessitam alinhar posições para avançar, como:
– impasses de metas de redução da média da temperatura global, de redução dos GEE e financiamento para adaptação;
– estruturação do board do mecanismo global de financiamento de créditos de carbono e metodologias envolvidas;
– padrões verdes, requisitos regulatórios etc.
E, finalmente, não é difícil a obstrução de decisões mais progressistas, top down, que dependem de apoio político e que ocorrem geralmente a partir da segunda semana nas COPs.
É preciso ressaltar o uso da burocracia para fugir das responsabilidades, como as resistências que se dão em razão de legitimidade, de questões formais, como um conjunto de sugestões para o mundo levantar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático, pauta que, formalmente, não foi inserida na conferência.
Felizmente, a área jurídica climática vem apresentando expressivo crescimento. Em julho, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) decidiu que a expansão, a extração, o consumo e os subsídios contínuos de combustíveis fósseis podem constituir um ato internacionalmente ilícito. E é exatamente o que defendem os lobistas do petróleo.
A decisão da CIJ esclarece que os países podem ser responsabilizados sob o direito internacional por não agirem sobre as mudanças climáticas, independentemente de sua participação em tratados específicos como o Acordo de Paris. O parecer da CIJ fornece base legal para responsabilizar os Estados, e as consequências potenciais incluem obrigações de cessação de danos, garantias de não repetição e reparações.
Além disso, o tribunal enfatizou que as mudanças climáticas prejudicam significativamente o gozo dos direitos humanos fundamentais, incluindo o direito à vida, a um meio ambiente saudável e à saúde.
Com relação à inação climática, ações como conceder novas licenças de combustíveis fósseis, fornecer subsídios ou não regular as emissões podem ser consideradas uma violação do direito internacional. Os Estados que violarem suas obrigações podem estar sujeitos a consequências legais, incluindo a obrigação de cessar atividades prejudiciais, fornecer garantias de não repetição e reparar os danos causados.
Importante ressaltar que a posição da CIJ se aplica a todos os Estados, não apenas àqueles que são membros de tratados como o Acordo de Paris. Deixar o acordo não isenta um país de suas responsabilidades legais. Esse foi o divisor de águas para justiça climática e responsabilidade. A CIJ deixou claro que o dever legal estabelecido de não causar danos, particularmente danos ambientais transfronteiriços, era universal e não dependia da ratificação ou adesão de um país a tratados formais.
Independente da morosidade dos acordos climáticos, que vem sendo continuamente obstaculizados pelas raposas climáticas, espera-se que as dimensões do Direito Climático ganhem proporções nos tribunais que permitam estancar atividades predatórias inclusive de lobistas que, de forma permanente, tentam impedir que a transição energética limpa avance.
Os lobistas começaram, de forma efetiva, a entrar na mira dos ativistas na COP30. Na segunda-feira, o primeiro dia da COP30, 25 especialistas da ONU, incluindo os relatores especiais sobre mudanças climáticas, povos indígenas e educação, e uma variedade de outras questões de direitos humanos, divulgaram uma declaração conjunta pedindo “total conformidade” com a decisão da CIJ, juntamente com a proibição de lobistas de combustíveis fósseis e mais transparência como passos cruciais para alcançar uma ação climática justa.
Adam Weiss, diretor de programas e impacto da ClientEarth, disse: “No momento, vivemos em um mundo onde é possível lucrar desenterrando combustíveis fósseis e queimando-os. Isso é absurdo, e a CIJ nos disse que o sistema jurídico internacional não pode continuar a tornar isso possível”.
A identificação da pirataria fóssil é fundamental para externar o conflito de interesses envolvido. Seria inadmissível uma conferência que trata da eliminação do câncer do pulmão aceitar delegados inscritos representantes da indústria do tabaco. “Após a opinião consultiva da CIJ e o manual de seis décadas de obstrução climática, os Estados da COP devem reconhecer o conflito de interesses irreconciliável da indústria de combustíveis fósseis – que é semelhante à indústria do tabaco”, disse Elisa Morgera, relatora especial da ONU para mudanças climáticas que apoia a proibição global do lobby de combustíveis fósseis.
Infelizmente a indústria petrolífera ganhou aval do anfitrião da COP30, o Brasil, que recentemente abriu portas para mais extração de petróleo na Amazônia. Mas o avanço do Direito Internacional para garantir direitos fundamentais à vida frente às atividades poluidoras do setor petrolífero e outros combustíveis fósseis, como o carvão, deverá ser o grande embate futuro em defesa da humanidade.
Entre essas conquistas, importante ressaltar a necessidade da consolidação, na jurisprudência climática da CIJ, do que já é expresso no Art.2º das Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605 de 12 de Fevereiro de 1998): “Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la”.
Para que essa batalha jurídica seja vitoriosa a humanidade terá que enfrentar os artifícios da pirataria climática, desmantelar as artimanhas lobísticas e enquadrá-las como atuação que, de forma proposital e orquestrada, contribui efetivamente para provocar danos à vida e à sociedade humana.


Assista no YouTube: MPF pede proibição de extração de petróleo na foz do Amazonas
Em entrevista na TV Jovem Pan, Carlos Bocuhy aponta os principais impactos que seriam causados com a extração de petróleo na Margem Equatorial, região da foz do rio Amazonas.

Nossos programas e projetos têm como objetivo influenciar políticas públicas, garantir a transparência e mobilizar a sociedade para a proteção dos recursos naturais.

O Programa Metrópoles Saudáveis é uma iniciativa inovadora idealizada pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM) para enfrentar os desafios ambientais e sociais das grandes cidades. Baseado em projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), o programa reconhece o crescimento acelerado das áreas urbanas e a necessidade de um planejamento sustentável que assegure qualidade de vida e governabilidade.

A campanha “Billings, Eu Te Quero Viva!” foi criada em 1993 como resposta à crescente degradação do reservatório Billings e seus mananciais. Idealizada pela sociedade civil e apoiada por mais de 120 organizações, a iniciativa busca proteger uma das principais fontes de abastecimento hídrico da região metropolitana de São Paulo.
Desde 2003, tornou-se um programa permanente do PROAM – Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – e passou a elaborar anualmente o Relatório de Impactos Ambientais da Represa Billings, apontando riscos, denúncias e soluções para garantir a preservação da água e dos ecossistemas associados.
A campanha reforça a importância da gestão sustentável dos recursos hídricos, da governança ambiental e do engajamento da sociedade na defesa do direito à água limpa e ao meio ambiente saudável.

A proposta do Programa de Proteção Territorial executado pelo PROAM vai de encontro às diretrizes do novo Ministério dos Povos Indígenas visando promover a proteção territorial e direitos humanos das populações indígenas.
O foco ecossistêmico do projeto visa proteger o cinturão verde da metrópole de São Paulo que abriga relevante biodiversidade, especialmente os territórios Indígenas que apresentam maior vulnerabilidade.
A possibilidade da implementação de monitoramento autônomo pelo próprio território, com uso de tecnologias avançadas e capacitação de monitores indígenas, visa prevenir invasões e degradação ambiental, alinhando-se com a política de preservação de territórios indígenas.
Os territórios enfrentam vários desafios para a manutenção de sua integridade, com invasões e desmatamento decorrentes da proximidade com áreas urbanas e incidência de visitas não autorizadas, que inclui caçadores e extração predatória.
O PROAM elegeu para o ano de 2026 dois territórios indígenas para a implementação do programa: Jaraguá e Rio Silveiras. O projeto está focado na aquisição de materiais e início da capacitação para esses territórios, que demonstraram condições institucionais, receptividade e interesse na efetivação da parceria para o desenvolvimento do projeto.
Os resultados esperados do projeto incluem:
- Proteção Territorial: redução de invasões e ocupações irregulares nas terras Indígenas.
- Capacitação: formação de indígenas para operar tecnologias de monitoramento e proteção.
- Sustentabilidade: capacitação da comunidade para promover a adaptação climática, a prevenção de incêndios florestais (como é o caso da TI Jaraguá) e a proteção da comunidade frente aos eventos extremos; prevenção das alterações climáticas que possam afetar agricultura e suprimento de água de abastecimento das aldeias, entre outros.
O PROAM foi indicado pela Deputada Federal Professora Luciene Cavalcante, como beneficiário da Emenda Parlamentar no. 44510005, dirigida ao Ministério dos Povos Indígenas. Os investimentos em recursos operacionais para a proteção territorial tiveram início em fevereiro de 2025, contam com sistema de auditoria interna e podem ser acessados na aba Documentos do site do PROAM, sob o título: Transparência dos investimentos 2025.
O registro do desenvolvimento do programa será atualizado a partir do ano de 2026 e estará disponível em aba dedicada no site institucional do PROAM, renovado com atualização tecnológica promovida ao final de 2025.de 2025.
Acontecimentos


Assista no YouTube: Metas climáticas dependem de mais vontade política e investimentos
Em entrevista à TV Jovem Pan, Carlos Bocuhy apontou os principais pontos a serem desenvolvidos pelo Brasil para uma boa politica de adaptação climática. Bocuhy ressalta a necessidade de envolvimento dos tomadores de decisão, com mais determinação, vontade politica e investimento para solucionar o desafio climático, que é gigante e multisetorial.


Veja no YouTube: Como proteger efetivamente a Floresta Amazônica? - YouTube
Carlos Bocuhy analisa o atual estágio de desmatamento da Floresta Amazônica e aponta caminhos para a melhoria do controle territorial com o objetivo de zerar a criminalidade e o desmatamento, que ainda representam anualmente, perda de área de floresta equivalente a um estado do tamanho de Sergipe.


Retrospectiva 2025 - PROAM Mídia Review 2025
2025 foi um ano de múltiplos desafios para a agenda ambiental. Foi destaque a COP30, realizada no Brasil, que enfrentou enormes desafios e obteve resultado de poucos avanços práticos, enquanto o problema climático vem se agravando de forma exponencial. O PROAM trabalhou ativamente durante 2025 visando influenciar positivamente os meios de comunicação para o aumento da consciência crítica da população. Este vídeo permite a compreensão da abrangência dos temas ambientais debatidos na mídia e a abrangência da atuação do PROAM, complementada ainda por centenas de publicações escritas em jornais, revistas e sites.


Leia publicação original no O Eco Diplomacia climática pós-COP30 - ((o))eco
A diplomacia climática atual se apresenta cheia de boas intenções, de esboços para discussão, de textos preliminares e pouquíssimos avanços
Conceituar diplomacia climática não é difícil. Difícil é fazer com que ela funcione nos tempos atuais. Trata-se do uso de ferramentas diplomáticas para promover a cooperação internacional e fortalecer o regime global para combater as mudanças climáticas. Envolve negociações entre países para criar e implementar acordos como o Acordo de Paris, além de buscar alinhar políticas de desenvolvimento com sustentabilidade, proteger ecossistemas e garantir a transição para economias verdes.
Desde a Conferência de Paris, o cenário geopolítico global passou por alterações que tiraram o foco do grave e crescente problema humanitário do aquecimento global.
A diplomacia climática atual se apresenta cheia de boas intenções, de esboços para discussão, de textos preliminares e pouquíssimos avanços. Chamam essa realidade fase de implementação, porém os textos finais apresentam evidente omissão com relação aos combustíveis fósseis, a maior causa do problema climático.
Sejamos realistas. Ainda não atingimos estágio de implementação, a fase é de tentativas. Países interessados no petróleo e com modelos anacrônicos de crescimento (não de desenvolvimento) trabalham sistematicamente, de forma velada ou não, para obstruir negociações.
Parece óbvio que a raposa, que faz parte do problema da segurança do galinheiro, tentará minar seu regimento interno protetivo. Mesmo assim, para evitar dissidência, não se toca no regime alimentar das raposas.
Nem sempre foi assim. No auge do multilateralismo climático, durante a COP21 de Paris, o mundo diplomático, com vigor, impulsionou negociações que se transformaram no Acordo de Paris, o principal tratado resultante do esforço diplomático climático.
Adotado em 2015, e tendo entrado em vigor em 2016, o acordo estabelece metas para limitar o aquecimento global a menos de 2ºC e buscar manter 1,5ºC, exigindo que cada país signatário apresente suas próprias Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
Mas o que aconteceu desde então?
Não foram poucas as pragas que se sucederam à Conferência de Paris: a ascendência de forças puramente mercantilistas nos Estados Unidos da América e seu séquito de representantes do setor fóssil; o advento da Covid e a velha verve expansionista russa, com a invasão da Ucrânia e as consequências energéticas para a velha Europa; o infeliz ataque do Hamas ao território israelense, que culminou no genocídio ocorrido em Gaza; o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA com sanha insaciável de interesses econômicos agregados para sufocar forças progressistas que impedem que a maior economia do mundo lide, de forma minimamente satisfatória, com o desafio climático.
Assim, o multilateralismo colaborativo, que deu gênese ao Acordo de Paris, praticamente feneceu no cenário global. Necessita ser revitalizado. As conferências do Azerbaijão e do Brasil foram as COPs mais esvaziadas e os países foram à mesa de negociações cheios de interesses pessoais, domésticos, econômicos e geopolíticos.
A divisão/fragmentação do mundo em blocos multipolares, em torno da China, e outros que pretendem conquista de espaço como o Brasil, situam a relação entre as nações em mundo multifacetado de contradições entre crescimento e desenvolvimento. Isso está claro no business as usual impregnado ao Brasil, que agora preside a COP30. Em sua abertura defendeu gigantesca perspectiva de produção petrolífera “para financiar transição energética”.
Os resultados da COP30 são limitadíssimos e omissos frente à necessidade urgente de medidas que representem eficaz intervenção na realidade, como a eliminação do uso de combustíveis fósseis e o aporte de recursos para socorrer países em desenvolvimento para sua transição energética, para prevenir e suportar impactos climáticos.
Se fosse uma convenção sobre tabagismo, teria sido uma tratativa onde os partícipes não teriam conseguido pautar o banimento do cigarro.
A proposta “Mapa do Caminho” protagonizada pelo Brasil, com adesões pleiteadas insistentemente dentro do mutirão multilateral, conseguiu até meados desta segunda semana da COP30 agregar compromisso de 82 países para se afastarem dos combustíveis fósseis. Mas só ganhou status de texto paralelo.
As adesões representam 25% da população e do PIB mundial. Ou seja, em uma conferência estratégica como a COP30, o comprometimento para com uma agenda de ação foi subscrita por apenas um quarto do potencial populacional e econômico global, que responde por apenas 15% da produção total de combustíveis fósseis.
Há um detalhe importante: desse potencial, o Brasil é o maior produtor de petróleo e nas últimas semanas anunciou expressivo aumento de produção.
É necessário repensar a diplomacia climática em seu atual formato de singelos drafts de boas intenções. Nos remete aos meios possíveis de ação, de como os diversos setores de direitos humanos, as cortes internacionais de Direito, poderiam contribuir para turbinar esse processo anêmico.
Como os diversos setores da ciência climática, que sinalizam riscos severos à humanidade, poderiam ser mobilizados para pressionar por eficiência climática? Como as áreas de saúde, agricultura, recursos hídricos e das cidades, cada vez mais vulnerabilizadas, poderiam atuar para a eficácia da diplomacia climática? Como transformar o modelo econômico global autofágico?
Albert Einstein conclui que “nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou“. Para encontrar solução, é preciso mudar a perspectiva ou o “nível de consciência” a partir do qual o problema foi criado.
Não é possível resolver um problema com a mesma mentalidade do status quo que o gerou. É necessário novos pontos de vista para encontrar saídas. Usar as mesmas ferramentas intelectuais e emocionais podem levar à “paralisia analítica”, ou à incapacidade de ver novas soluções.
Defender que o uso do petróleo irá financiar a saída da crise climática é um excelente exemplo de péssima iniciativa – que irá gerar piora de cenário. Trata-se de insuficiência analítica.
A exploração de 10 bilhões de barris na região da foz do Amazonas dispenderia investimentos imediatos altíssimos e poderia legar ao Brasil cerca de US$ 600 bilhões, mas geraria impactos ao planeta estimados em US$ 5,16 trilhões, de acordo com métrica macroeconômica apontada pela Universidade de Stanford (USA). A tragédia climática recente do Rio Grande do Sul consumiu, apenas dos cofres públicos federais, o valor de R$ 111 bilhões.
Assim, o formato hoje utilizado para a diplomacia climática necessita ser repensado, pois está se transformando em narrativa onde boas intenções parecem satisfazer a perspectivas das ações necessárias.
A fórmula das COPs que garante o imobilismo é notória. Os eventos climáticos abrem espaço para ilusória participação não governamental. A área decisória estatal é estanque. O clima de celebração proporciona aos partícipes o desejável e o indesejável: a informação e a troca de experiência, mas entre iniciativas heroicas e pressão de exigência social circulam lobistas fósseis aos milhares em sintonia com petroestados.
É preciso evitar o efeito legitimador com informação e criticidade necessárias. É preciso atentar para a legitimação de eventos em seu aspecto festivo, palanque de discursos fáceis que abortam temas que, em aspectos resolutivos, não ocorrem.
A mídia cobre o factual enquanto o essencial sucumbe. Detrás das cortinas da Blue Zone, assolada ao final por um incêndio, postergam-se ações essenciais para alimentar perspectivas posteriores que, novamente, com base no mesmo formato insuficiente, tenderão a ser postergadas.
Além das incongruências nacionais, talvez a resposta para a crise climática esbarre na velha dificuldade da Liga das Nações, da velha ONU, que merece boa reforma, mantendo seus avanços em Direitos Humanos e solucionando inconsistências democráticas, especialmente para reconsiderar impactos que parte da humanidade mais rica causa sobre os menos favorecidos.
Mas o modelo econômico atual tem empurrado a humanidade para o precipício, em sanha de consumo onde, cedo ou tarde, todos pagarão a conta. A solidariedade e a generosidade que deveriam permear os avanços estão sendo abafados pelo crescimento do individualismo pessoal/nacionalista. Se na atual fase de relativa prosperidade isso já ocorre, sequer podemos imaginar a barbárie que poderá advir de possíveis cenários de disputas por recursos de sobrevivência que se instalam no horizonte climático.
Mikhail Gorbachev, em 1988, usava o plenário da ONU para defender uma perestroika (reestruturação) das políticas ambientais globais, argumentando que o planeta precisava de uma nova visão política compatível com os desafios ecológicos e a necessidade de reduzir a brecha entre países ricos e pobres. Vinculava a paz global e o desarmamento nuclear à sustentabilidade ambiental, vendo ambos como pilares essenciais para o futuro da humanidade.
O desafio continua posto. Os cenários estão previstos. A capacidade transformadora minimamente desenhada. Projeções apontam que as políticas atuais levarão ao aumento do aquecimento médio global em até 4,5ºC até o final do século. Mas média não é realidade local. Envolve áreas mais frias como polares e os oceanos. Áreas do Nordeste do Brasil já apresentam + 4ºC e estão em processo de desertificação. Há ainda riscos seríssimos de efeitos-cascata sobre os ecossistemas, que poderão ampliar a margem de aquecimento.
Somos humanidade em risco. Caberá à diplomacia climática pós-COP30 construir a resolução para essa crise de sobrevivência.
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